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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O vento é redemoinho
de estórias.
Bagunça as peças do tabuleiro,
leva para nunca mais os bilhetes,
os sussurros soltos,
traz folhas e notícias frescas de longe
do outro lado do Atlântico.
Assovia cançonetas.

O problema é que há dois meses
aqui não venta.
Os galhos entediados querem ser passarinhos,
os homens encalorados querem ir para o Polo Norte.
O que o vento anda inventando? 



quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Passar feito um rio
Louco, rouco, torto
escorregarescorregarescorregar
escorregarescorregarescorregar
Virar as pedras, arrancar as árvores,
Inundar cidades, afogar os homens
E no fim ser nuvem leve.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Onde as palavras descansam


Ela é um baú encantado
Cheio de mundos perdidos,
Abriga o vale e todos os rouxinóis daqui.
Eu pouco sei dos seus cadernos
Que seduzem o tempo
E determinam as estações,
Encharcando a terra, dando volume as espigas,
Colorindo a paisagem de cinza conforme seu humor.
Ela levaria linhas e linhas para ser contata
Nesses dias sem fim,
Cheios de labirintos,
Onde as palavras caducam sob mistérios de carne.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Não desejo que teu copo seque
Seu sorriso esmoreça
Ou que vire pântano
Abarrotar minha alma
De seu corpo
Amarrotar seu corpo
Num vice versar
louco     

sábado, 16 de julho de 2011

Doçura é isso mesmo Carlota
Esse negocio que sai saltitante como um monte de pulgas de você,
Pequenas coisas pulantes que fazem rir até chorar.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Corações colados martelam
Como uma canção de Thor
E o brololó
De querer um entrar no outro
Aí depende da medida
De cada alma amolecida.

terça-feira, 10 de maio de 2011

belem, blem

Um pássaro dorminhoco
Não quer ser incomodado,
Só que a beleza do alvoroço
Da passarada
Era maior que minha compaixão,
Maior que Deus.
Passava horas assim,
Armando trincheiras
Cercando as algarobas mais pesadas,
Nutrindo minha alma
Com esses acontecimentos
Simples.

Como era bonito ver os bichinhos
Explodindo na noite
Como uma fruta doce.
Eram duzentos sinos
Tomando o céu da cidadezinha.