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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

“O par de botas”




Se os olhos pesam,
Dispensam cumprimentos, ruas inteiras.
Fotografam paisagens esquecidas,
Não alcançam chapéus,
Chaminés ou copas de árvores.
Aquele par de botas de Van Gogh
É o auto-retrato de uma alma pesada.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


Logo cedo um passarinho bicudo
Virá cantar,
Anunciado como uma sirene de usina
Que a vida daqui
Traz o compasso acelerado
de esteira enfurecida.
Que custa caro ser homem.



Os meus cobertores, um pra cada noite,
                                                              prepararão minhas manhãs.
.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Das grandes cidades

Embora o engenho de pedra e aço
Emprestasse seu movimento às coisas,   
Ainda que tudo estivesse em oferta
E os maquinistas efetuassem as manobras
E o pão fosse fresco e a greve um sucesso,
 Hoje disseram que lá
Pelas bandas da cidade grande
 Até os assentos da rodoviária velha reclamaram de solidão.

Uma estória de esquecimento

Alheio a tudo
Colei-me às pernas de Teresa,
Abdiquei de mapas,
Fiz delas meu curso.
 Teresa, andando
 Parecia meio pardal,
Meio chocalho,
 Uma cortina de conchas raras.
 Sempre anunciava sua chegada
Como os carrinhos de gás.
Calado
Dominava a arte de esconder-se
Em objetos, numa imagem,
Em qualquer coisa que compunha
Seu universo.
No dia em que Teresa alçou vôo,
Descobri que há muito não lia um livro,
Que meu peixe morrera de fome,
Que meus sapatos andavam desgastados,
Que perdi 20 quilos
De gordura e memória.